Todos nós conhecemos uma história assim. Um casal com uma história de amor perfeita e um relacionamento aparentemente imbatível que, contra todas as previsões, acabam por cair nas malhas da infidelidade. Afinal de contas, também os casais perfeitos traem, ao contrário do senso comum, que associa imediatamente a infidelidade a relações disfuncionais ou desfeitas.

É muito difícil perceber porque isso acontece, se bem que existem padrões que as ciências sociais têm ajudado a identificar e sinalizar. No entanto, como não estamos a falar de ciência, existem muitas variáveis que podem justificar ou levar à traição. E se, à partida, a infidelidade em casais com relações aparentemente saudáveis pode parecer difícil de perceber ou justificar, rapidamente percebemos que não é bem assim.

O que dizem as estatísticas sofre a infidelidade ?

Os números oficiais demonstram isso mesmo. Por exemplo, só no Reino Unido, um levantamento feito junto da população demonstrou que 20 por cento dos britânicos adultos já teve um ou mais casos extraconjugais, enquanto que 30 por cento confessa que já pensou em faze-lo. Por isso, abordar a infidelidade como um problema exclusivo dos casais infelizes seria deveras limitador, além de um erro claro.

É possível identificar desde logo um perfil comum a quem trai. Se uma pessoa tem, à partida, mais propensão à infidelidade, então é mais natural que isso venha a acontecer mesmo dentro de um casamento satisfatório. Além disso, a psicologia demonstra que uma pessoa infiel é alguém que, em regra, não sabe ou não está segura do que realmente quer para a sua própria vida, o que a leva a procurar escapes.

É muito comum os adultos buscarem uma relação e estabilidade a longo prazo e, ao mesmo tempo, desejarem uma aventura e a emoção de um relacionamento novo. Isso tem a ver também com a insegurança própria do ser humano e o paradoxo da nossa natureza, que faz com que estas duas necessidades tão básicas entrem em conflito de forma regular. E quem está mais fragilizado emocional e psicologicamente, acaba por ter maior tentação para a infidelidade.

Porque temos a tendência a sermos infiéis ?

Além disso, a pressão social e a construção romantizada do amor levam a que muitas vezes as pessoas criem na sua própria mente cenários idílicos e fictícios, que são difíceis de alcançar. Infelizmente, a verdade é que a perfeição é só uma ideia e não existem parceiros ou relações perfeitas. Mas o romantismo diz-nos constantemente o contrário. E procurar um caso de infidelidade é, muitas vezes, uma forma de procurar confirmar isso mesmo.

Além disso, existem ainda muitas pessoas com a ideia de que atração romântica e atração sexual são coisas diferentes. Enquanto deixam a primeira para o seu relacionamento estável, procuram a segunda como uma forma de estímulo e de adrenalina, acreditando que, o facto de amarem o seu companheiro ou parceira, não significa que os estejam a trair. É apenas atração física e, como tal, não é comparável ao amor.

A verdade é que é perfeitamente natural que achemos outras pessoas atraentes, é a nossa biologia a falar. No entanto, convém não confundirmos estas duas coisas, até porque depois outros sentimentos e emoções vêm atrás, como é o caso do ciúme, por exemplo. E isso torna qualquer relacionamento mais difícil e menos saudável.

Existem mais razões para que sejamos infiéis ?

Outro aspecto bastante comum que leva à infidelidade entre casais aparentemente felizes tem a ver com o tédio. Muitas relações caiem no marasmo da rotina e, por vezes, o amor não consegue resistir a isso. O ser humano procura estímulos constantes na sua vida e, especialmente na era em que vivemos, em que os estímulos são constantes, é difícil aguentar um relacionamento que tenha caído no aborrecimento.

A sabedoria popular já diz que a ocasião faz o ladrão e o que é certo é que muitas vezes não é preciso muito mais do que isso para acontecer um caso de traição. Uma noite com álcool a mais, o contexto certo ou um momento de fragilidade emocional pode levar a um caso extraconjugal pontual mesmo em casais aparentemente felizes, sem que nada o fizesse adivinhar. Essa é uma das características do ser humano e não há nada a fazer em relação a isso. A imprevisibilidade faz parte do nosso ADN e, por mais racionais que sejamos, por vezes é impossível resistir à tentação.

Ana Fernandes

Ana Fernandes

Chamo-me Ana Fernandes e sou licenciada em Comunicação pela Universidade do Minho em Braga. Adoro animais, viajar , cinema e sou capaz de passar horas a ler a a escrever.